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Leitura e Análise Crítica de Texto I - 2011.2
Horário: quarta-feira, das 13 às 15 horas / quinta-feira, das 15 às 17 horas
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
DEPARTAMENTO DE MÍDIAS DIGITAIS - DEMID
Disciplina: Leitura e Análise Crítica de Texto I
Prof. Marcos Nicolau
Período: 2011.2 - Créditos: 04 – Carga Horária: 60h.
EMENTA:
A leitura crítica para a produção de textos deve estabelecer certos recortes metodológicos: 1) O conceito de texto na retórica clássica a partir da Arte Retórica de Aristóteles e na retórica moderna; 2) A imagem como discurso ou tropos de formas discursivas veiculadas pelas mídias; 3) As divergências e convergências entre a ação que se apresenta ao mundo exterior e a intencionalidade do narrador. Em suma, quais são o logos, o pathos e o ethos do discurso midiático.
OBJETIVOS:
Compreender as bases conceituais da retórica aristotélica passíveis de serem aplicadas aos textos midiáticos. Analisar como se dá a construção e o uso dos tropos nos discursos das mídias digitais. Produzir discursos dinâmicos constituídos por linguagens verbal, visual e sonora a partir dos elementos da retórica moderna.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
1. Dos princípios da retórica clássica à retórica moderna
2. Texto e Linguagem: do analógico ao digital
3. As formas discursivas e os gêneros narrativos
4. Metáforas retóricas e metáforas cognitivas nos textos verbais, visuais e sonoros
4. Ethos, pathos e logos nos meios impresso, eletrônico e digital
5. Persuasão e argumentação nas mídias digitais interativas
METODOLOGIA:
As aulas serão compostas por palestras, análises críticas de textos, exercícios com gêneros e discursos envolvendo a retórica.
AVALIAÇÃO:
Os alunos são avaliados pela presença, assiduidade, participação nos exercícios e realização dos exames.
REFERÊNCIAS
BLOCK, Bruce. A narrativa visual: criando estrutura visual para cinema, TV e mídias digitais. São Paulo: Elsevier, 2010.
CIRNE, Lívia. Novas imagens tecnológicas: a infografia no jornalismo. In: Culturas Midiáticas. Vol. III, n. 02, 2010.
FERREIRA, Luiz Antonio. Leitura e persuasão: princípios de análise retórica. São Paulo: Contexto, 2010.
LAKOFF, G. & Johnson, M. Metáforas da vida cotidiana. Campinas/SP: Mercado de Letras: São Paulo: Educ, 2002.
LOPES, Fernanda; SACRAMENTO, Igor. Retórica e mídia. São Paulo: Insular, 2009.
MEYER, Michel. A retórica. São Paulo: Ática, 2007.
NICOLAU, Marcos. A ideografia global dos aplicativos de computador: uma linguagem funcional que transcende culturas no ciberespaço. In: Revista Temática. Vol. V, n. 06, junho de 2009.
PEREIRA, José Haroldo. Curso básico de teoria da comunicação. 5. ed. Rio de Janeiro: Quartet, 2009.
REBOUL, Olivier. Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
SACRAMENTO, Igor. A midiatização da retórica. In: Revista Fronteiras – estudos midiáticos. V. 11, n. 2, maio/agosto de 2009.
SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora, visual, verbal. São Paulo: Iluminuras, 2001.
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Questões levantadas a partir do livro:
Leitura e persuasão: princípios de análise retórica, de Luiz Antonio Ferreira (Contexto/2010)
1 Qual a principal função da retórica e que meios mentais ela usa para obter seu intento?
2 Explique a diferença entre persuadir e convencer a partir de seus significados?
3 Quais são as três ordens de finalidade da retórica?
4 O que é a retórica para Aristóteles?
5 Qual é o objeto da teoria retórica, segundo Perelman?
6 O que simbolizam o ethos, o pathos e o logos no contexto do discurso?
7 Por que o gênero notícia inspira credibilidade? E qual aspectos dos três, ethos, pathos e logos é mais importante na imprensa?
8 Em que época surgiu a retórica e relacionado a que tipo de problema social?
9 Quem foi o primeiro estudioso a usar a retórica? Que implicações suas ideias tinham diante do conhecimento e da verdade?
10 Por que os primeiros retóricos eram sofistas e o que Platão dizia deles?
11 Quem foi Aristóteles e qual sua contribuição para a retórica?
12 Quem foi o primeiro representante da retórica latina e a que nível elevou essa teoria?
13 Que corrente de pensamento foi o principal inimigo da retórica e por que?
14 Em que época do século XX a retórica ressurgiu, qual seu objetivo e que espírito estabeleceu?
15 Que concepção e lógica trouxe a nova retórica de Perelman e Tyteca?
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A retórica midiatizada – António Fidalgo e Ivone Ferreira
(Capítulo do livro: Retórica e Mídia. Editora Insular/2009)
O que distingue a retórica contemporânea da retórica clássica é fundamentalmente o fato de ser midiatizada.
Retoricamente, os meios não potencializam apenas o alcance do discurso, não se limitam a levar o discurso a mais ouvintes ou a adicionar-lhes imagens, mas alteram as próprias formas de persuasão.
O modelo de Aristóteles é triangular: o orador, o discurso e o auditório. A retórica midiatizada acrescenta mais um elemento, as mídias, obtendo um modelo de quadrado comunicacional.
A forma como a mensagem é recebida pelo ouvinte depende do meio utilizado.
Hovland traz para os estudos da retórica a persuasão de massas, considerando os meios de comunicação e seu papel informativo-persuasivo, utilizando as ideias de Lasswell, com sua teoria da informação.
O desafio que se coloca à retórica é estudar a persuasão sob a perspectiva dos meios, levando em conta a máxima de Marshall McLuhan: “o meio é a mensagem”.
A mediação ou o tipo de mediação altera tudo no processo de comunicação: não há persuasão sem comunicação. A partir daí, cabe às ciências da comunicação estudar a retórica midiatizada.
Enquanto a noção de auditório é central na sistematização aristotélica da retórica, os meios de comunicação rompem com a unidade espacial e temporal que caracteriza o auditório e ao criarem, em sua substituição, públicos e audiências modificam radicalmente os princípios do discurso retórico.
Diante do auditório o orador ajusta seu discurso. Isso é impossível para audiências ausentes. A introdução de imagens ou da montagem do discurso traz outra eficácia à mensagem, a exemplo das reportagens ou dos comerciais.
Mesmo diante de platéias presenciais, os meios tecnológicos influenciam o público com uso de alto-falantes, telões e efeitos sonoros. A regulagem do volume em tons de graves e agudos apresenta outra dimensão do orador.
O que o auditório recebe é algo que não tem apenas origem no orador, mas que é condicionado e formatado por quem controla os meios técnicos.
A imprensa foi o primeiro meio de comunicação a permitir a criação de um público.
Na retórica clássica, o orador enfrenta um auditório já constituído por e com uma certa finalidade, como a assembleia deliberativa, mas na retórica midiatizada ele tem de, antes de tudo, criar sua audiência.
A introdução da imagem na ação retórica será, porventura, o aspecto mais relevante que os meios de comunicação trazem a retórica. Foi ela que superou a mais explosiva de todas as figuras retóricas, a hipotipose, que consistia em impressionar o público mediante a descrição viva de uma situação. É preferível, ao público, ver a imaginar.
Os consumidores são um público recente. Só com o surgimento da sociedade industrial é que aparece a sociedade do consumo. Esta traz a abundância de produtos e a concomitante liberdade de escolha entre eles.
O discurso publicitário é um exemplo por excelência de como um gênero incorporou a retórica aristotélica e a ampliou através do uso de diversos meios de comunicação, utilizando com maestria o ethos, o pathos e o logos.
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